quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

o bipartidário dos EUA defende ameaça militar clara ao Irã

Os Estados Unidos deveriam enviar navios, ampliar as ações secretas e afiar sua retórica para tornar mais digna de crédito sua ameaça de ataque militar ao Irã, para impedir o país de avançar em seu programa nuclear, disse um grupo bipartidário no Congresso americano.
Ex-políticos, generais e altos funcionários do governo defenderam em um relatório que a melhor maneira de impedir o Irã de buscar em segredo fabricar armas nucleares é deixando claro a intenção dos EUA de usar a força. No entanto, o grupo não defendeu diretamente o recurso à ação militar.
O relatório do Centro de Política Bipartidária, que inclui democratas, republicanos e independentes, será divulgado formalmente nesta quarta-feira, em meio à especulações sobre a possibilidade de um ataque militar israelense contra o Irã.
Há poucos indícios de que o presidente dos EUA, Barack Obama, tenha interesse significativo em um ataque militar ao Irã, embora seu governo tenha repetidamente enfatizado que todas as opções estão sobre a mesa.
PRESSÃO
Nações ocidentais suspeitam que o Irã está tentando desenvolver armas nucleares, depois de a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) divulgar um relatório sobre as atividades do programa persa em novembro do ano passado.
Teerã se defende, dizendo que o relatório era baseado em informações falsas de órgãos de inteligência ocidentais e que o programa é inteiramente pacífico. Segundo o Irã, os resultados serão usados na produção de energia e tratamentos médicos.
O último relatório da AIEA fez com que Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e outros países da UE (União Europeia) aumentassem as sanções econômicas contra o Irã. O Irã vem respondendo às punições com ameaças à navegação internacional que assustaram o mercado de petróleo.
Fonte: Folha.com

Relatório da Otan aponta laços entre Taleban e governo paquistanês

O  grupo extremista islâmico Taleban no Afeganistão está sendo ajudado por forças de segurança do Paquistão, apontou um relatório secreto da Otan, a aliança militar do Ocidente, segundo a emissora britânica de TV BBC e o jornal "The Times".
De acordo com os veículos, o relatório foi produzido com base em informações obtidas com insurgentes detidos e foi entregue aos comandantes da Otan no Afeganistão no mês passado. O documento vazado afirma que o Taleban continua forte e possui grande apoio entre o povo afegão.
Citado pela agência de notícias Associated Press, um funcionário da aliança disse que os presos apontaram ainda ter confiança de que voltarão ao poder no país, após a coalizão liderada pelos Estados Unidos retirar suas tropas em 2014.
O governo do Paquistão rebateu as conclusões do relatório secreto, com o Ministério de Relações Exteriores chamando as acusações de "ridículas".
"Desenvolvemos uma política de não interferência no Afeganistão e esperamos que os outros países respeitem estritamente este princípio", declarou o porta-voz do ministério, Abdul Basit. "Nosso interesse está em ter um Afeganistão estável e em paz. Não podemos apoiar uma atividade que nos leve para longe desse objetivo".
DOCUMENTO
O relatório foi feito com base em um material colhido durante 27 mil entrevistas e interrogatórios com mais de 4.000 pessoas capturados por envolvimento com o Taleban, a rede terrorista Al Qaeda e outras milícias e organizações terroristas internacionais.
De acordo com a BBC, o documento expõe pela primeira vez as relações entre o grupo extremista e o ISI, o serviço de inteligência do Paquistão --que, inclusive, saberia onde moram os principais líderes talebans. Alguns deles morariam nos arredores da sede do órgão em Islamabad.
Um ex-membro da Al Qaeda é citado dizendo que "o Paquistão sabe tudo. Eles controlam tudo. Não posso subir em uma árvore em Kunar sem que eles observem". E continua: "O Taleban não é o Islã. O Taleban é Islamabad".
Após a reação do governo paquistanês, a Força da Otan no Afeganistão (Isaf) minimizou o relatório e afirmou que o documento é apenas uma "compilação de comentários a partir do qual não se devem tirar conclusões" precipitadas.
INFLUÊNCIA
Mesmo com a estratégia da Otan em garantir a segurança do país com as forças afegãs, o relatório levanta suspeitas de que há uma grande colaboração entre insurgentes e o Exército e a polícia do Afeganistão.
"Há muito tempo estamos preocupados em relação aos laços entre elementos do serviço de inteligência do Paquistão e algumas redes sociais de extremistas", afirmou o porta-voz do Pentágono, o capitão John Kirby, acrescentando que o Departamento de Defesa americano ainda não viu o relatório.
O documento aponta um aprofundamento do apoio da população do país ao Taleban, e mostra sua influência crescendo, enquanto a da Al Qaeda diminui.
O Taleban já recuperou o controle sobre boa parte do território afegão e desfruta do apoio de muitos afegãos revoltados com as mortes de civis provocadas por tropas americanas e ocidentais.

fonte: Folha.com

Brasil está entre os menos preparados para ataques de hackers, diz estudo

O Brasil foi apontado como um dos países menos preparados para ataques cibernéticos em um ranking de 23 nações presente em um recém divulgado estudo produzido pelo centro de pesquisas belga Security Defense Agenda (SDA) e pela empresa de antivírus McAfee.

Dos países analisados pelo estudo, nenhum obteve a nota máxima (5) de total prontidão contra ataques virtuais.
O Brasil teve nota 2,5, ao lado de Índia e Romênia, ficando à frente apenas do México.
Os mais bem-colocados no ranking são Israel, Finlândia e Suécia, com nota 4,5.
"A infraestrutura e tecnologia (de segurança cibernética) na América Latina e Caribe tende a estar desatualizada, e esse ainda é o caso no Brasil", diz o capítulo sobre o país.
"Até agora, a corrupção policial e a falta de legislação para combater crimes cibernéticos constituem o calcanhar de Aquiles do Brasil. Ciberataques contra usuários (de sites de bancos) estão acima da média mundial."
Exemplos de ataques estão ocorrendo nesta semana, quando hackers brasileiros estão alvejando sites de bancos. Na segunda-feira, o site do Itaú ficou indisponível por alguns momentos; nesta terça, o mesmo está acontecendo com o site do Bradesco.

'Hackers em vantagem'

O estudo Cyber Defense Report foi feito a partir de entrevistas com mais de 300 analistas e autoridades em segurança cibernética de governos, empresas, organizações internacionais e da academia, segundo a SDA.
Uma de suas conclusões é de que os hackers estão, em geral, em situação de vantagem, "atacando sistemas com fins de espionagem industrial e política ou para praticar roubos".
Países como China, Itália e Rússia tampouco receberam boas notas no ranking - 3, de um máximo de 5. Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha e França ficaram com nota 4.
As notas levam em conta a adoção de medidas básicas - como firewalls (dispositivos que protegem contra hackers) adequados e proteção antivírus - e outras mais sofisticadas, como educação e grau de informação do governo.
Para Raj Samani, da McAfee, o ranking é subjetivo, mas é justamente essa sua validade.
"(O ranking) dá a percepção da prontidão (dos países) na opinião de pessoas que entendem e trabalham com cibersegurança diariamente", diz.
As ameaças, é claro, variam de país para país.
No caso do Brasil, Raphael Mandarino, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações da Presidência da República, diz no estudo que, como o país não está envolvido em guerras, "não vemos o espaço cibernético como um campo de batalhas".
"Nossa cibersegurança foi criada essencialmente para proteger a infraestrutura interna de departamentos, o que faz com que nossa situação seja muito diferente da dos EUA", afirma.
No caso de Israel, porém, a principal ameaça vem de "Estados e de grandes organizações criminosas", afirma ao estudo um conselheiro de segurança do premiê Binyamin Netanyahu, afirmando que o país montou uma força-tarefa para avaliar ameaças virtuais ao abastecimento de água e de energia, por exemplo.
O país foi recentemente alvo de diversos ataques cibernéticos de grande escala, afetando, por exemplo, sites da Bolsa de Valores e de companhias aéreas.

Compartilhar informações

O relatório diz que é necessário aumentar o compartilhamento de informações em nível global para se proteger de ameaças.
"Criminosos cibernéticos se conectam através de distintos países", diz o estudo. "Se são espertos, passam pelos países onde sabem que não existe nenhuma cooperação. Eles estão compartilhando informações - precisamos fazer o mesmo."
As conclusões foram elogiadas por Joss Wright, integrante do Instituto de Internet de Oxford. Mas, em entrevista à BBC, ele faz uma ressalva sobre a viabilidade do compartilhamento de informações.
"São recomendações já feitas nos últimos dez anos", declara Wright. "Adoraria ver o compartilhamento de informações, mas, quando se trata de segurança nacional, existe (entre os países) uma cultura de não compartilhar."
Fonte: BBC Brasil

Venda do Rafale à Índia será "precedente útil" ao Brasil, diz ministro

Em entrevista nesta quarta-feira à rede de TV francesa Canal Plus, o ministro da Defesa da França, Gérard Longuet, disse acreditar que as negociações para a venda de 126 caças Rafale à Índia poderão representar um precedente favorável aos brasileiros. “O precedente indiano será muito útil aos brasileiros”, declarou o ministro. "Sobre o Brasil, há esperanças, e sobre a Índia estou confiante”, resumiu Longuet, mencionando também as expectativas otimistas para a venda do caça francês aos Emirados Árabes Unidos.
Para o ministro francês da Defesa, o governo brasileiro preferiu primeiro comprar o que tinha mais necessidade, ou seja, os quatro submarinos franceses. “Os aviões, eles (brasileiros) não compraram de outros e nós continuamos na disputa”, afirmou.
Na entrevista, Longuet considerou as perspectivas de assinatura de um contrato para a venda dos caças à Índia como uma “formidável promessa” para a indústria e a tecnologia francesas. Gérard Longuet estima também que a transferência de tecnologia prevista no contrato com Nova Délhi é “não apenas inevitável”, mas “desejável”.
“Nós trabalhamos com eles (a indústria indiana) como amigos de longa data. É por isso que nós vendemos”, disse o ministro, citando as parcerias nos setores de motores e da informática. Gérard Longuet adiantou que os caças serão montados na Índia com equipamentos e componentes fabricados por engenheiros e técnicos franceses que irão trabalhar no país e ajudar a formar a mão-de-obra local.
Batalha difícil
A batalha comercial em torno da venda de 126 aviões de caça Rafale à Índia, conforme anunciou ontem o governo francês, está longe do fim. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos saiu no contra-ataque e disse, nesta quarta-feira, estar disposto a compartilhar as informações sobre o modelo F-35 com o governo indiano.
A transferência de tecnologia e o preço mais barato do Rafale, em relação ao segundo colocado na licitação, o modelo Typhoon, do consórcio Eurofighter, teriam sido determinantes na seleção do caça francês da Dassault. Dos 126 aviões que a França quer vender à Índia, 18 serão entregues finalizados e os 108 restantes serão fabricados com parceiros indianos. O valor global do contrato, incluindo o treinamento de pilotos e a manutenção dos aparelhos, é estimado em 15 bilhões de dólares.
Em abril passado, a Índia rejeitou as ofertas dos Estados Unidos, da Rússia e da Suécia. Mas como Nova Délhi tem a disposição de comprar mais 80 aparelhos, os concorrentes descartados na licitação vencida pelo Rafale podem apresentar futuramente novas propostas.
Analistas dizem que será um desafio para a França superar a fase de negociações exclusivas com a Índia, pois é nessa etapa que serão detalhadas as condições de transferência de tecnologia.
O presidente Nicolas Sarkozy disse que a vitória nessa licitação é um sinal forte de confiança na economia francesa. Mas, na França, ninguém esqueceu os fracassos de venda do Rafale na etapa final de negociação para o Marrocos e a Coreia do Sul e ainda o suspense no caso do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos.

Fonte: defesanet.com.br

DEFESA - Amorim viaja à Índia para reforçar cooperação bilateral

Brasília, 31/01/2012 - O ministro da Defesa, Celso Amorim, desembarca no próximo sábado (04/02), em Nova Deli, capital da Índia, para uma série de encontros com autoridades e visitas a instalações militares do país asiático. A viagem tem o objetivo de reforçar a cooperação bilateral entre os dois países na área de defesa.

Durante os cinco em que permanecerá em território indiano, Amorim terá reuniões com o ministro da Defesa, A.K. Antony, com o assessor de Segurança Nacional, Shankar Menon, e com o primeiro-ministro, Manmoham Singh.

Na cidade de Bangalore, o ministro brasileiro e sua comitiva – integrada por assessores, pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi - visitarão as instalações da empresa Hindustan Aeronautics Limited (HAL). Também está prevista visita à 50ª Brigada Paraquedista, unidade militar indiana de elite situada na cidade de Agra.

Integrante do BRICS (Grupo de países emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a Índia possui uma das maiores forças militares do mundo. Sua defesa é constituída pelo Exército, Marinha, Aeronáutica e por forças auxiliares, a exemplo da guarda costeira. As forças de defesa são subordinadas ao presidente do país, seu comandante supremo.

Os indianos mantém cooperação intensa em matéria de defesa com países como a França e a Rússia, mas, a exemplo do Brasil, buscam reduzir a dependência tecnológica de outras nações no desenvolvimento de produtos e serviços de emprego militar. O país asiático possui projetos em curso para fabricação de blindados, mísseis e aviões de combate.

A Índia acaba de finalizar uma concorrência para aquisição de 126 caças para sua força aérea, vencida pela empresa Dassault, fabricante dos aviões franceses Rafale. Especialistas afirmam que o contrato prevê a compra direta de 18 aviões. Os 108 restantes serão construídos no próprio país, com transferência tecnológica. Os indianos também adquiriram jatos brasileiros, modelo Legacy 600, da Embraer. Atualmente, os Legacy são utilizados pelo governo indiano para transporte de autoridades.

Prioridade estratégica

A parceria com a Índia em diversos campos, incluindo a Defesa, é uma prioridade estratégica do Brasil. O governo entende que existe um amplo potencial de cooperação científico-tecnológica com país asiático no setor militar, com a possibilidade de desenvolvimento de projetos de interesse mútuo.

Entre os assuntos que deverão ser tratados pela comitiva brasileira com as autoridades indianas durante a viagem figuram cooperação no setor naval em projetos de construção de porta-aviões e submarinos da classe Scorpène, além da ampliação do já existente intercâmbio de vagas para oficiais das forças armadas em cursos aperfeiçoamento e de altos estudos oferecidos por escolas militares de ambos os países.

A pauta incluirá ainda tratativas sobre parcerias entre centros de pesquisas militares dos exércitos brasileiro e indiano para desenvolvimento de equipamentos de defesa que possam suprir, no futuro, necessidades de projetos como o Sistema de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). Nas conversas também deverão ser tratados temas referentes às respectivas forças aéreas, como intercâmbios entre escolas de pilotos, medicina aeroespacial, operações de busca e salvamento e paraquedismo.

Para o ministro Celso Amorim, a visita à Índia será uma relevante oportunidade de fortalecer os laços entre os dois países na área de defesa. A relação bilateral nesse segmento começou a ganhar força a partir do acordo celebrado em 2003 entre os dois países no âmbito do IBAS, grupo integrado pela Índia, Brasil e África do Sul com o objetivo de unir propostas em temas globais e aprofundar o relacionamento em áreas diversas. Desde a implementação desse fórum de diálogo, ocorreram diversos eventos bilaterais de defesa, como visitas às Marinhas de Guerra, e reuniões de colegiados como o Comitê Conjunto de Defesa Brasil-Índia (CCD), a Comissão Mista Brasil-Índia (COMISTA) e do Grupo Setorial de Defesa do IBAS.

Além da Índia, a viagem do ministro da Defesa brasileiro inclui paradas em outros dois países: Itália e Marrocos. Amorim terá encontro no próximo dia 3 com o ministro da Defesa italiano, Giampaolo Di Paola, na cidade de Palermo. No Marrocos, ele se reúne no dia 10, na cidade de Rabat, com os ministros da Defesa, Abdellatif Loudiyi, e das Relações Exteriores, Saad Eddine Othmani, do país africano.

fonte: Ministério da Defesa

Amorim: Permanência indefinida no Haiti daria 'falsa sensação de conforto'

A presença indefinida da missão liderada pelo Brasil no Haiti (Minustah) daria uma "falsa" sensação de conforto no país caribenho, disse o ministro brasileiro da Defesa, Celso Amorim, em entrevista à BBC Brasil.

O ministro, que acompanha a presidente Dilma Rousseff em visita ao Haiti nesta quarta-feira, defende que a ONU não abandone o país - devastado por um terremoto em 2010 -, "mas progressivamente passe desse viés de segurança para um viés de desenvolvimento".
A partir de março, o Brasil deverá começar a retirar mais de 200 militares enviados à missão de paz da ONU no Haiti e reduzir paulatinamente o efetivo de 2,2 mil soldados brasileiros.
Amorim disse que a tarefa da Minustah, sob comando brasileiro, está sendo cumprida. Mas ele considera que já é hora de as tropas voltarem para casa.
Questionado também sobre a instalação da Comissão da Verdade no Brasil, para investigar abusos cometidos no país entre 1946 e 1988, o ministro disse que o governo não está preocupado com o mal-estar gerado pelos trabalhos entre integrantes das Forças Armadas.
"A verdade vai ser apurada corretamente. A verdade tem que ser descoberta", afirma.
A Comissão da Verdade deverá apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988 e identificar os responsáveis pelas mortes, torturas e desaparecimentos neste período. Os responsáveis não serão punidos.
Leia a seguir trechos da entrevista com Amorim, feita em Caracas durante uma visita do ministro, entre 24 e 25 de janeiro, para traçar com o presidente venezuelano Hugo Chávez um plano de cooperação e desenvolvimento militar, de olho no ambicioso projeto de criação de uma indústria de defesa sul-americana.
BBC Brasil - Depois de sete anos de atuação da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), o Haiti está pronto para a saída das tropas estrangeiras? Como será o processo de retirada dos soldados brasileiros?
Celso Amorim - Esse processo já começou. Em março, devem sair 200 e poucos soldados brasileiros. Houve um acréscimo no número de soldados depois do terremoto.
A ideia é que tem que haver uma redução gradual (das tropas). Não faz sentido, o Haiti, já tendo sua segunda eleição democrática, mesmo com as dificuldades que tem um país pobre, continuar durante muito tempo dependente de forças internacionais para manter a ordem.
Até porque se você olhar o aspecto político, o Haiti está pacificado. O [ex-presidente Jean Bertrand] Aristide voltou pra lá, até o Baby Doc (ex-presidente Jean-Claude Duvalier) voltou.
Não estou emitindo juízo de valor, mas isso demonstra uma certa pacificação do país. Hoje em dia [em Cité Soleil e Beleher] o nível de violência é baixíssimo. Claro, é baixíssimo porque a Minustah está lá, mas temos que progressivamente transferir isso à polícia haitiana.
Ninguém admite publicamente que (a presença da Minustah) vai se eternizar, mas se ficar este sentimento de que ela vai ficar indefinidamente, isso dá uma falsa situação de conforto.
Isso não é bom, nem para os governantes haitianos, que têm que tomar as providências deles, mas sobretudo para a comunidade internacional, que diz: "Ah, o problema do Haiti está resolvido. Estão os brasileiros, os latino-americanos por lá", mas com isso o que é realmente importante - que é ajudar na reconstrução, no desenvolvimento do Haiti - deixa de ser feito.
Acho que a ONU não deve abandonar o Haiti, mas progressivamente tem que passar desse viés de segurança, basicamente, e manutenção da ordem, para um viés de desenvolvimento. E o Brasil continuará comprometido.
BBC Brasil - Há uma previsão de retorno definitivo da totalidade das tropas brasileiras?
Amorim - A primeira saída é agora. Acho que tem que ser uma coisa progressiva, que não coloque em risco a segurança imediata, mas não vou dar um prazo certo. É razoável imaginar que antes da próxima eleição isso já esteja (definido).
BBC Brasil - A retirada é da Minustah ou somente das tropas brasileiras?
Amorim - As duas coisas. A Minustah não é uma decisão do Brasil. Acho que o Brasil não tem por que abandonar, mas não tem por que ficar com o ônus totalmente. (A situação) tem que ser analisada e deve haver uma redução gradual. Esse sentimento é comum entre os países sul-americanos que têm o grosso do contingente lá.
BBC Brasil - Uma das tarefas da Minustah no Haiti era a de ajudar na reorganização da Polícia e do Exército haitiano – dissolvido por Aristide em 1995 – para que os haitianos pudessem assumir com autonomia a segurança do país. Isso foi feito?
Amorim - A questão policial ficou a cargo dos canadenses. Acho que tem evoluído. Essa é sim uma tarefa muito importante e na próxima semana terei a possibilidade de avaliar melhor isso. Não podemos ficar dando a sensação que vamos ficar eternamente e não podemos sair irresponsavelmente, até porque seria injusto com os próprios brasileiros que perderam a vida lá para ajudar o Haiti.
BBC Brasil – Nesta semana, a Minustah admitiu novas acusações de violação sexual das tropas contra a população. Como o senhor vê esses novos questionamentos?
Amorim - Não é um local onde não ocorram problemas deste tipo. Na última acusação que houve, que envolveu brasileiros, a própria ONU já reconheceu que era pouco provável que eles estivessem envolvidos. Uma coisa é o comando geral, que está sob o comando de um general brasileiro, mas não é o Brasil que determina o procedimento.
A Minustah tem um procedimento e tolerância zero com essas situações, agora o nível de educação, digo no sentido de treinamento de cada país para respeitar os direitos humanos, é diferente. Não posso falar pelos outros.
BBC Brasil –Acusações deste tipo não contribuem ainda mais para minar a imagem da Minustah, que já vem sendo questionada pelos haitianos?
Amorim - Claro que não é bom que essas coisas ocorram. Como disse, no caso dos brasileiros, tudo indicou que não eram eles (os responsáveis), que seus celulares não estavam no local, isso tudo foi objeto de investigação. É preciso primeiro investigar para ter certeza que isso ocorreu.
Tudo tem que ser apurado e o que está errado tem que ser corrigido. E, se for necessário haver punição de acordo com as regras de cada país, (isso) se fará com orientação da ONU.
Mas isso não é um jogo de golfe, estamos falando de uma situação de conflito. Às vezes é fácil falar em abstrato, mas muitas vezes se pode estar apartando uma situação de violência entre dois grupos, duas facções, e ao fazer isso, pode se fazer alguma coisa errada. Agora, evidentemente abusos sexuais como os que você menciona têm que ser condenados.
BBC Brasil- Qual balanço o senhor faz desses sete anos de atuação da Minustah? Valeu a pena o desgaste político?
Amorim - Não vejo desgaste político. Valeu muitíssimo a pena. Tivemos duas eleições democráticas seguidas no Haiti, com resultados reconhecidos. Não sei se foi perfeito. Mas em muitos lugares, muitas vezes mais desenvolvidos, as eleições não são perfeitas e nós sabemos. O povo hoje vive em relativa paz, livre das gangues armadas ligadas ao crime. Pergunte aos próprios haitianos.
A maioria deles é favorável (à missão). Há alguns grupos que talvez preferissem que houvesse ainda certa situação de desordem, que isso sempre cria oportunidades também. A tarefa está sendo cumprida, uma boa parte dela está completada, acho que temos que voltar pra casa de maneira responsável.
BBC Brasil - A presidente Dilma Rousseff deverá escolher os sete conselheiros que devem compor a Comissão da Verdade. O ex-presidente Lula participará desta seleção?
Amorim - Não sei. O Ministério da Defesa está interessado porque boa parte do assunto diz respeito às Forças Armadas, mas não tenho nenhuma interferência. Mas acho que quem vai escolher é a presidenta Dilma.
BBC Brasil - Familiares das vítimas da ditadura questionam a falta de transparência no processo de constituição da Comissão, falam da ingerência de militares e temem que o trabalho da Comissão não alcance a verdade sobre os crimes cometidos na ditadura. Como o senhor vê essas críticas?
Amorim - Não são todos, são alguns (que criticam). A disposição é de que tudo que tenha que ser apurado, seja apurado. E não há nenhuma ingerência de militares, não sei de onde isso está sendo tirado. Eles terão que cooperar, falar eventualmente se for o caso, mas vamos ver. A própria comissão é quem vai definir seus métodos de trabalho. A verdade vai ser apurada corretamente. A verdade tem que ser descoberta.
BBC Brasil - Há preocupação no governo de que a atuação da Comissão possa gerar mal-estar entre as Forças Armadas?
Amorim - Não vejo preocupação. Obviamente estas coisas são delicadas, mas têm que ser feitas. A verdade tem que ser conhecida. Isso é uma necessidade. Muitos dizem que isso é coisa só dos familiares. É dos familiares, sem dúvida que é, mas é uma necessidade da sociedade brasileira, do povo brasileiro conhecer a verdade sobre seu passado e cada um fará seu julgamento. Nós cooperaremos plenamente com isso.
BBC Brasil - A Comissão deve avaliar o período de 1946 a 1988 em dois anos. Haverá tempo suficiente para avaliar os documentos e obter informação sobre os crimes cometidos neste período?
Amorim - As pessoas terão que ser seletivas e concentrar-se nos períodos sobre os quais existe maior quantidade de dúvidas, de suspeitas e acusações. Tenho certeza que os membros da Comissão, que serão todas pessoas moralmente inatacáveis, terão discernimento para atacar os períodos que forem mais importantes.
BBC Brasil - Essa Comissão terá condições de fechar a ferida sobre a história da ditadura brasileira?
Amorim - Quem tem que fechar as feridas é o povo brasileiro. A Comissão vai descobrir a verdade, e nós temos que enfrentar a verdade. Olhar no espelho é duro, mas é preciso olhar e tirar suas conclusões.
BBC Brasil – Essa ferida pode ser fechada sem informação?
Amorim - Não. Mas é muito significativo que, no mesmo dia em que se aprovou a Comissão da Verdade, tenha sido aprovada a lei do direito à informação. Então, a informação vai ser buscada e estou convencido que, não sei se todas, mas muita coisa vai se saber, além de que muitas coisas vão se comprovar, muitas coisas que se suspeitavam se comprovarão, outras não.
É um processo. A disposição é essa: de que a verdade seja estabelecida.
BBC Brasil - A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediram a revogação da Lei de Anistia para que os crimes cometidos durante a ditadura possam ser esclarecidos.
Amorim - Não vou comentar sobre isso, porque houve uma decisão do Supremo Tribunal Federal no Brasil que é por onde temos que nos pautar.
Fonte: BBC Brasil

Militares americanos desenvolvem bala que "persegue" alvo

Os militares dos Estados Unidos estão desenvolvendo uma bala que pode corrigir a própria trajetória e "perseguir" o alvo.
 
O projeto está sendo desenvolvido por uma subsidiária da empresa Lockheed Martin em nome do governo americano, a laboratórios Sandia.
A nova munição usa barbatanas minúsculas para corrigir a trajetória e é capaz de alcançar objetos a cerca de dois quilômetros de distância. Os testes em protótipos sugerem que a bala tem mais precisão para alvos a distâncias maiores.
Uma empresa de consultoria afirmou que a nova tecnologia pode beneficiar atiradores de elite, mas teme que a bala possa ser usada pelo público.
Sensores e laser
O protótipo que está sendo testado pela companhia Sandia é de uma bala de dez centímetros que inclui um sensor óptico na ponta, para detectar alvos iluminados com laser. Esta informação é processada e usada para mover os motores dentro da bala, que viram as pequenas barbatanas, alterando a trajetória da bala.
"Podemos corrigir (a trajetória) 30 vezes por segundo", afirmou o pesquisador Red Jones, que participa do desenvolvimento do protótipo. A equipe de pesquisadores já fez testes com simulação por computador e testes de campo e informou que ainda há "questões de engenharia" para serem resolvidas. No entanto, eles acrescentaram que estão confiantes.
Diferente da maioria das balas usadas atualmente, o protótipo desenvolvido nos Estados Unidos tem seu giro minimizado durante a trajetória e visa funcionar como um dardo.
Os pesquisadores já realizaram testes com a nova bala usando a pólvora já comercializada para outras munições e o projétil alcançou uma velocidade superior ao dobro da velocidade do som (cerca de 731 metros por segundo), o que ainda está abaixo do padrão de velocidade usado pelos militares.
Mas, os cientistas afirmam que é possível aumentar a velocidade da bala usando pólvora fabricada especialmente para esta munição.
Público e militares
Em seu site, a Sandia afirma que "clientes em potencial incluem os militares, forças policiais e atiradores por recreação". Isto gerou preocupação em alguns analistas do setor.
"Há a conversa de venda (da nova munição) para caçadores por recreação, mas eu imagino que as autoridades poderiam querer limitar o acesso do público a este tipo de tecnologia", afirmou à BBC Elizabeth Quintana, pesquisadora da consultoria do setor Royal United Services Institute.
"Mas seria útil para forças policiais, particularmente em situações envolvendo reféns", acrescentou a consultora. E, para Quintana, a nova munição seria ainda mais útil em campos de batalha.
"Um dos grandes êxitos na Líbia foi a precisão das munições usadas, muito mais alta do que em operações anteriores. 97% das armas da Otan atingiram os alvos dentro de cerca de dois metros. Mas, isto foi conseguido com munição aérea", disse Quintana.
"(Esta munição) Seria uma revolução para forças terrestres e poderia ajudar a diminuir ainda mais o número de mortos e feridos entre civis em conflitos futuros", afirmou.
Fonte: BBC Brasil