quinta-feira, 26 de julho de 2012

Defesa e TSE firmam normas de conduta e regras de engajamento das Forças Armadas nas eleições 2012

A Justiça Eleitoral fez o primeiro movimento para a participação das Forças Armadas em municípios brasileiros que necessitarão de apoio militar na segurança e a ordem nas eleições 2012. Nesta quarta-feira (25), o ministro da Defesa, Celso Amorim, e a presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, assinaram o documento que estabelece as “Normas de Conduta e Regras de Engajamento nas Eleições 2012”.

“Acho que essa presença das Forças Armadas com o objetivo de assegurar o apoio à democracia brasileira é para mim motivo de muito orgulho. Nós estamos de parabéns por poder servir à democracia brasileira”, disse o ministro Amorim.

Para a ministra Cármen Lúcia, a participação das Forças Armadas irá garantir a segurança e a tranquilidade na realização das eleições. A presidenta do TSE explicou que a definição dos municípios que contarão com o apoio militar se dará posteriormente.

A expectativa é que no próximo mês o TSE receba comunicados dos governos estaduais informando se terão condições de garantir a segurança pública com as policiais militares. Caso contrário, haverá a requisição para o emprego de aparato militar. O ministro da Defesa informou que nas eleições de 2008 e 2010 algumas cidades tiveram a segurança feita pelas Forças Armadas.

Engajamento nas eleições

O documento firmado estabelece, por exemplo, como norma de conduta dois itens: conhecimentos básicos e emprego da tropa. No primeiro caso, o texto dá as diretrizes de que a utilização de militares nas eleições passa por autorização do Ministério da Defesa a partir de pedido do Tribunal Superior Eleitoral formulado à presidenta Dilma Rousseff.

No segundo caso, diz o texto que a tropa somente desempenhará missões que forem atribuídas na garantia da votação e da apuração no processo eleitoral. Essa regra vale desde que seja aplicada em obediência rigorosa à legislação vigente e com orientações do “escalão superior”.

Na prática, o documento estabelece regras comuns em operação militar e que definem com exatidão aquilo que pode e que não pode ser feito. Dois exemplos recentes de emprego militar foram informados pela Defesa: as participações das Forças Armadas na Minustah (Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti) e a missão de paz nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Além disso, o conjunto de normas de conduta e regras deixa claro que tudo transcorrerá dentro dos limites para esse tipo e operação e que as Forças Armadas não terão a função de efetuar o policiamento rotineiro ostensivo em locais que haja normalidade.

Na cerimônia ocorrida no TSE, o ministro Amorim estava na companhia dos comandantes do Exército, general Enzo Martins Peri, e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito; do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi; do chefe de Operações Conjuntas (Choc), general João Carlos Vilela; além do chefe do Estado-Maior de Armada, almirante Fernando Eduardo Studart Wiemer.

Fonte: defesanet.com.br

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estratégia Nacional de Defesa - Termina o F-X2 e Define Critérios para o F-X3

A proposta da nova Estratégia Nacional de Defesa enviada ao Senado, no dia 17 de Julho, traz importantes definições. Uma delas é oficialmente encerrar o Programa F-X2 e partir para o F-X3 e de forma surpreendente estabelecer critérios para tal.

Nelson Düring
Editor-chefe DefesaNet



A proposta da nova Estratégia Nacional de Defesa enviada ao Senado, no dia 17 de Julho, traz importantes definições. Uma delas é oficialmente encerrar o Programa F-X2 e partir para o F-X3 e de forma surpreendente estabelecer critérios para tal.

A leitura da nova Estratégia Nacional de Defesa (END) tem um texto mais objetivo e foi eliminado o estilo retórico do Prof Mangabeira Unger, que coordenou a primeira edição da END lançada, em 2008.

Há várias análises relevantes que merecem uma leitura detalhada. A END apresenta-se como uma leitura mais interessante que o próprio Livro Branco de Defesa Nacional

Na análise e definição sobre a A Força Aérea Brasileira (FAB) são apresentados os objetivos da Força.

Texto pág 16. END

Quatro objetivos estratégicos orientam a missão da Força Aérea Brasileira e fixam o lugar de seu trabalho dentro da Estratégia Nacional de Defesa. Esses objetivos estão encadeados em determinada ordem: cada um condiciona a definição e a execução dos objetivos subsequentes.
(a) A prioridade da vigilância aérea.
(b) O poder para assegurar o controle do ar no grau desejado.
(c) A capacidade para levar o combate a pontos específicos do território nacional, em conjunto com a Marinha e o Exército, constituindo uma única força combatente, sob a disciplina do teatro de operações.
(d) O domínio de um potencial estratégico que se organize em torno de uma capacidade, não em torno de um inimigo

Ao tratar dos pontos relevantes para a FAB a END traz uma análise sobre as condicionantes e perspectivas para o F-X3. É sinal que o presente estágio do F-X2 não é satisfatório, para militares ou o governo.

Define opções a serem evitadas como esgotadas, no caso a modernização das plataformas atuais. Porém pela primeira vez o governo fala sobre a possibilidade de um caça de “Quinta Geração” como meta final.

Porém indica que o presente momento poderá ter uma opção intermediária, um GAP FILL.

Abaixo texto da Estratégia Nacional de Defesa, pág 18

"Dentre todas as preocupações a enfrentar no desenvolvimento da Força Aérea, a que inspira cuidados mais vivos e prementes é a maneira de substituir os atuais aviões de combate, uma vez esgotada a possibilidade de prolongar-lhes a vida por modernização de seus sistemas de armas, de sua aviônica e de partes de sua estrutura e fuselagem.

O Brasil confronta, nesse particular, dilema corriqueiro em toda parte: manter a prioridade das capacitações futuras sobre os gastos atuais, sem tolerar desproteção aérea. Precisa investir nas capacidades que lhe assegurem potencial de fabricação independente de seus meios aéreos e antiaéreos de defesa. Não pode, porém, aceitar ficar desfalcado de um escudo aéreo, enquanto reúne as condições para ganhar tal independência. A solução a dar a esse problema é tão importante, e exerce efeitos tão variados sobre a situação estratégica do País na América do Sul e no mundo, que transcende uma mera discussão de equipamento e merece ser entendida como parte integrante desta Estratégia Nacional de Defesa.

O princípio genérico da solução é a rejeição das soluções extremas – simplesmente comprar, no mercado internacional, um caça “de quinta geração”, ou sacrificar a compra para investir na modernização dos aviões existentes, nos projetos de Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), no desenvolvimento, junto com outro país, do protótipo de um caça tripulado do futuro e na formação maciça de quadros científicos e técnicos.

Consideração que poderá ser decisiva é a necessidade de preferir a opção que minimize a dependência tecnológica ou política em relação a qualquer fornecedor que, por deter componentes do avião a comprar ou a modernizar, possa pretender, por conta dessa participação, inibir ou influir sobre iniciativas de defesa desencadeadas pelo Brasil."



O Livro Branco de Defesa Nacional, na página 203, traz o seguinte texto:

"FX-2: aquisição de 36 caças multimissão para substituir os Mirage 2000. O projeto teve sua fase de avaliações para o processo de seleção concluída, aguardando a decisão governamental para prosseguir."

Um Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED), prospectivo, pois aguarda aprocvação do governo indica os rumos a serem tomados:


Projetos e Subprojetos Prioritários da Força Aérea (pag 253 LBDN)


início fim valor total(+)
6 Projeto Capacitação Operacional da FAB (E) 2009 2030 55.121,0
Subprojeto Aeronave de Caça Multimissão (F-X2) 2013 2026
Subprojeto Aeronave Pesada para Transp. Presidencial (VC-X2) 2013 2014
Subprojeto Helicóptero Médio de Emprego Geral (H-XBR/EC-725) 2009 2017
Subprojeto Aeronave Pesada de Carga e Reab (KC-X2) 2013 2016
Subprojeto Unidade Celular de Comando e Controle 2013 2015
Subprojeto Aeronaves de Transporte, Ensaios e Inspeção em Voo 2013 2028
Subprojeto Aeronaves de Busca e Resgate 2015 2016
Subprojeto Aeronaves de Patrulha Marítima 2016 2028
Subprojeto Aeronaves de Reconhecimento / VANT 2012 2024
Subprojeto Aeronaves de Asas Rotativas 2012 2026
Subprojeto Aeronaves de Instrução 2016 2025
Subprojeto Segurança Terrestre 2011 2023
Subprojeto Sistemas Bélicos 2009 2030
(+) valor em milhões de Reais

Ministério da Defesa prepara feira de equipamentos da indústria nacional

Os equipamentos de defesa produzidos pelas indústrias instaladas no território brasileiro serãomostrados aos representantes das embaixadas como forma de abrir canal para a exportação destes produtos. O chefe do Departamento de Produto de Defesa (Deprod), general Aderico Mattioli, tratou do tema hoje (24) durante a 14ª reunião do comitê dos Chefes dos Estados-Maiores das Forças Armadas Singulares no Ministério da Defesa.

Para isso, o departamento está organizando uma exposição de produtos na Base Aérea de Brasília. De um lado, expoentes da indústria militar, representantes do BNDES e da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos - Apex-Brasil. Na outra ponta, adidos militares das principais representações diplomáticas.

“Queremos mostrar aos adidos militares e aos nossos parceiros de outros ministérios o que está sendo produzido ou desenvolvido no Brasil em termos de equipamentos de defesa”, disse o general Mattioli.

A feira está sendo articulada com a Força Aérea Brasileira (FAB) e faz parte de um pacote de atividades marcado para ocorrer nos dias 17 e 18 de agosto. De acordo com Mattioli, na parte da manhã os participantes terão informações sobre forma de financiamento e o potencial da indústria. À tarde, o local será aberto para visitação.

Defesa cibernética

A defesa cibernética foi o tema seguinte da reunião. O subchefe do Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), coronel Luiz Gonçalves, apresentou a estruturação do Projeto Estratégico de Defesa Cibernética com enfoque às constantes movimentações deste setor. Na reunião, o militar apresentou também os resultados do trabalho durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e o preparo para os grandes eventos que ocorrerão no Brasil até o ano 2016.

“Já iniciamos o nosso planejamento para a Copa das Confederações, que ocorrerá no próximo ano, e nos ajustamos para a Copa do Mundo e Olimpíadas Rio 2016”, disse o militar.

Na reunião, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, indagou se o CDCiber estaria preparado para atuar de modo integrado na proteção das redes durante as competições esportivas. O coronel Gonçalves informou que o centro atuaria no âmbito das Forças Armadas e estaria apto para atuar como coordenador do plano de segurança pública que seria executado pelo Ministério da Justiça.

O funcionamento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) mereceu destaque no encontro. O diretor-geral substituto Fernando Campagnoli fez relato das atividades do centro gestor e apresentou proposta das principais reivindicações para uma melhor prestação dos serviços.

Coube ao general Carlos Cesar Araújo Lima, da Subchefia de integração Logística (Subilog), apresentar os estudos sobre a alimentação das Forças Armadas. Segundo o general Araújo Lima, o valor do auxílio alimentação se mantém congelado desde 1995. De acordo com o oficial, estudos desenvolvidos ao longo dos últimos anos sugerem o aumento do valor. Na reunião, ficou decidido que o tema voltaria a ser tratado mais adiante e que se buscaria encaminhar a solicitação para a equipe econômica.

O projeto “Rádio Definido por Software” (RDS) foi o último tema da 14ª reunião do comitê. O general Cláudio Duarte de Moraes, chefe do Centro Tecnológico do Exército, proferiu exposição sobre o projeto.

Fonte: http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/6932/Ministerio-da-Defesa-prepara-feira-de-equipamentos-da-industria-nacional

As operações de informações Parte III: O caso colombiano

Seção de Operações de Informações do Grupo Militar dos Estados Unidos na Colômbia

(Continuação da parte II)
As forças militares da Colômbia, tomando como referência a doutrina de Operações de Informações das forças militares norte-americanas e sua ampla experiência no uso dessas capacidades no combate à ameaça interna, desenvolveram um documento próprio conhecido como “Doutrina de Ação Integral”, no qual se estabelecem os objetivos e linhas estratégicas da Ação Integral na Colômbia.
Assim sendo, a Ação Integral “busca apoiar o esforço de consolidação do controle territorial e a legitimidade do Estado, fortalecer a coordenação entre agências e instituições para alcançar a segurança e a paz como um bem comum, em um cenário de vitória como processo irreversível”, como rezam as “Instruções Gerais sobre a Doutrina de Ação Integral” do Comando Geral das Forças Militares.
Do mesmo modo, a Doutrina de Ação Integral estabelece três linhas estratégicas sob as quais são realizadas as diferentes operações:
Ação Integral Geral: tem como objetivo geral apoiar as operações militares e agir como coadjuvante para “o fortalecimento da legitimidade, blindando e fortalecendo a imagem institucional das forças militares, colaborando para reduzir a vontade de luta dos Grupos Armados Organizados à Margem da Lei e facilitando sua desmobilização”.
Ação Integral Coordenada: atua como coadjuvante para a recuperação social do território, o bem-estar e a paz sustentável de que a Nação precisa, através da aplicação de Assuntos Civis, Assuntos de Governo, Assuntos Indígenas e Comando de Profissionais Oficiais da Reserva por parte do Comandante Militar e outros representantes legais do Estado e da sociedade civil organizada.
Ação Integral Resolutiva: “Busca o desenvolvimento e a coordenação permanente e simultânea de ações políticas, econômicas, sociais e militares com o objetivo de fortalecer as estruturas básicas do Estado, garantindo a defesa e a proteção dos Direitos Humanos, a obediência ao Direito Internacional Humanitário e as liberdades sociais. A Ação Integral Resolutiva está intimamente ligada à Política Nacional de consolidação Territorial, especialmente durante as fases de recuperação e transição do território, fases durante as quais a presença das forças militares e da Polícia Nacional é fundamental para o ingresso das demais instituições do Estado, tendo como eixo fundamental o processo entre agências. Neste sentido, a Direção de Planejamento de Operações de Informações (DIPOI), subordinada à Chefatura de Ação Integral Conjunta do Comando Geral das Forças Militares da Colômbia, tem como objetivo obter a confiança da população, atuando como coadjuvante para derrotar os Grupos Armados à Margem da Lei (GAML) e promovendo sua desmobilização.
Em relação ao anterior, a Direção de Ação Integral do Exército criou recentemente a Seção de Operações de Informações, formada por uma equipe multidisciplinar cuja finalidade é planejar, elaborar a executar estratégias para neutralizar as ações contra a legitimidade institucional por parte dos GAML.
A Seção busca apoiar o trabalho da Força por todo o país, desenvolvendo estratégias de informações voltadas especialmente para combater a guerra de IV Geração, que abrange o campo ideológico, político, cibernético, de massas, de inteligência e jurídico, entre outros. Essas características multidimensionais transformam a instrução e o treinamento das forças militares para que possam enfrentar, com ferramentas melhores, o inimigo que, na maioria dos casos, não é tangível e maneja as informações a seu bel-prazer, para obter o apoio das massas.
Além dos meios de comunicação, também são relevantes as ferramentas multimídia, audiovisuais, emissoras e comunicados de imprensa, entre outros. A coordenação e a unificação de mensagens claras e precisas, através desses diferentes canais, é o que permite que se enfrente o impacto dos GAML na população colombiana.
Neste sentido, a neutralização das ameaças do Século XXI traça um futuro cheio de desafios para as OPINFO e sua evolução segue lado a lado com a projeção de ambientes, a construção de estratégias de longo prazo e o desenvolvimento de oferta de cooperação para derrotar o inimigo e consolidar o país como pioneiro regional nesta questão.
Na medida em que essas Operações se consolidem como um pilar estratégico na luta contra os grupos armados à margem da lei, será cada vez mais fácil compreender seu modus operandi e a capacidade de infiltração na sociedade e, além disto, poderão ser fortalecidos os protocolos de manejo de informações e interpretação adequada das mesmas, para que se possam elaborar estratégias eficientes que neutralizem os GAML.
A importância da Ação Integral e das Operações de Informações baseia-se no poder delegado à comunidade através da coordenação e da interação com as entidades dos governos nacional, estadual e local. Uma comunidade com poder é uma comunidade que colabora com as autoridades, que denuncia casos de violações dos Direitos Humanos e, o mais importante de tudo isso, é que ela se torna imune aos agentes ilegais armados, fortalecendo-se como um todo e formando-se como um agente forte e contundente de transformação social.

Fonte: http://www.defesanet.com.br/sof/noticia/6931/As-operacoes-de-informacoes-Parte-III--O-caso-colombiano


terça-feira, 24 de julho de 2012

Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN)


No último dia 17, a presidenta Dilma Roussef enviou à apreciação do Congresso Nacional os seguintes documentos: Política Nacional de Defesa (PND), Estratégia Nacional de Defesa (END) e Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN).

O Livro Branco de Defesa Nacional pode ser acessado em arquivo PDF de 93.5MB no endereço abaixo:
http://www.forte.jor.br/2012/07/24/livro-branco-de-defesa-nacional-lbdn/

Síria pode usar armas químicas em caso de ataque estrangeiro

O regime sírio reconheceu pela primeira vez que possui armas químicas e ameaçou utilizá-las em caso de intervenção militar estrangeira, mas nunca contra a sua população, enquanto violentos combates prosseguem entre soldados e rebeldes em Aleppo e em Damasco. A Síria rejeitou a proposta da Liga Árabe de uma saída negociada do poder do presidente Bashar al-Assad para acabar com a violência, que já causou mais de 19.000 mortes em 16 meses de revolta.

A comunidade internacional, incapaz de chegar a um acordo comum, reforçou suas sanções e o controle do embargo à venda de armas. Americanos e europeus também aumentaram a ajuda aos países vizinhos da Síria, onde mais de 120.000 sírios estão refugiados.

Em Damasco, palco de combates diários, as execuções se multiplicam. Ao menos 23 pessoas foram executadas sumariamente no domingo pelas forças do regime, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Dezesseis homens, a maioria com menos de 30 anos, foram assassinados no bairro de Mazzé, oeste da capital, indicou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH. Outros sete foram executados em Barzé (noroeste). O OSDH descreveu vítimas que tiveram as cabeças esmagadas por veículos, corpos perfurados por baionetas e mãos algemadas.

A agência oficial Sana anunciou que o Exército está em Mazzé para “restabelecer a segurança (…) limpando esta área de grupos terroristas armados que aterrorizam os habitantes e atacam suas casas”. Nesta segunda-feira, o OSDH contabilizou mais 18 mortos até o início da tarde.

Damasco, apesar das acusações ocidentais, indicou que suas armas químicas e não-convencionais estão “armazenadas em um lugar seguro sob a supervisão das Forças Armadas e só serão utilizadas caso a Síria enfrente uma agressão estrangeira”. Já o porta-voz do Ministério sírio das Relações Exteriores, Jihad Makdessi, assegurou que as armas “nunca, nunca serão utilizadas contra nossos cidadãos, seja qual for a evolução da crise”.

O regime acusa os ocidentais de desinformação para justificar “uma intervenção militar, mentindo sobre armas de destruição em massa”. Os Estados Unidos advertiram Damasco que consideram o regime de Bashar al-Assad responsável por manter em segurança suas armas químicas e que o regime não deveria nem pensar nesta possibilidade.

“Eles não deveriam nem pensar em usar armas químicas”, disse o porta-voz do Pentágono, George Little, à imprensa. “Temos sido enfáticos em nossa posição dentro do governo americano sobre o uso de armas químicas, o que seria totalmente inaceitável”, afirmou.

Israel também manifestou a sua preocupação e alertou que não aceitará que armas químicas caiam nas mãos do partido xiita Hezbollah. Após o anúncio da “libertação de Damasco”, na semana passada, e da batalha de Aleppo no domingo, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão de oposição síria, pediu aos rebeldes que aumentem seus esforços.

“Novas tropas em Damasco”
O regime “vacila”, mas “não se renderá facilmente”, afirmou o porta-voz do CNS, George Sabra, em um comunicado. “O que acontece em Damasco, Aleppo e em outras cidades sírias é uma etapa crucial para estabelecer uma nova fase na história de nosso país, e também da região”, acrescentou o opositor.

Nesta segunda-feira, uma coluna de fumaça cobriu o céu sobre Mazzé, onde os confrontos duraram parte da noite, segundo um jornalista da AFP. Paralelamente, o regime mobilizou novas unidades nos bairros de Barzé, Lawane, Nahr Aiche e Mazzé.

Os soldados “controlam as grandes estradas e bairros onde entraram, mas ainda há confrontos das pequenas ruas”, segundo o OSDH. Após o anúncio da libertação de Aleppo, intensos combates foram travados na capital econômica do país, particularmente nos bairros de Sahour (leste) e Hanano City (leste).

Os rebeldes tomaram o controle do distrito de Salahuddin, no oeste da cidade. “Há um grande êxodo em Hanano City, al-Ha¯dariyé e Sakhour”, indicou o OSDH. O coronel Kassem Saadeddine, porta-voz do Exército Sírio Livre (ESL) no interior do país, disse à AFP que o Exército havia posicionado 60 tanques na estrada entre Homs (centro), cidade-símbolo da contestação, e Hama, para desalojar os rebeldes.

Ainda assim, os rebeldes controlam um posto na fronteira com o Iraque, e três postos na divisa com a Turquia. Os ocidentais devem reforçar a ajuda humanitária aos refugiados. Washington desbloqueou 100 milhões de dólares para a Jordânia, que acolhe dezenas de milhares de sírios, enquanto os europeus duplicaram a ajuda de emergência para 63 milhões de euros.

FONTE: AFP via Terra Notícias

Bope começa a utilizar miniaviões não tripulados em operações especiais no Rio

O Bope (Batalhão de Operações Especiais) começará a utilizar em breve miniaviões em ações táticas e operacionais no Rio de Janeiro. Três “vants” (veículos aéreos não tripulados) foram desenvolvidos pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e cedidos à divisão de elite da Polícia Militar, que poderá aproveitar a nova tecnologia, por exemplo, para monitoramento remoto no decorrer de incursões em favelas da capital fluminense.

Orçado em R$ 180 mil, o projeto contempla ainda a Defesa Civil Estadual, a Artilharia Antiaérea do Exército e o próprio IME –cada um recebeu um miniavião personalizado. Uma sétima aeronave está sendo finalizada e será entregue ao Corpo de Bombeiros para operações na região serrana do Estado, que sofre anualmente com problemas decorrentes das chuvas.
Os vants contam com tecnologia integralmente nacional, segundo o governo do Estado, e será aperfeiçoado nos próximos anos. Até novembro, de acordo a financiadora do projeto, a Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro), outros vants devem ser cedidos gratuitamente às forças de segurança pública e de Defesa Civil do Rio.
“Temos vants demonstradores de tecnologia, frutos de pesquisas de pós-graduação e de trabalhos de graduação, construídos por cérebros brasileiros, com recursos nacionais e tecnologia livre de restrições internacionais de comércio. Nossa busca é pela soberania tecnológica”, afirmou o gerente do projeto, Jacy Montenegro Magalhães Neto.
De acordo com o governo estadual, os miniaviões contam com um sistema de zoom ótico capaz de filmar uma placa de carro, por exemplo, a cerca de 500 metros de altura. Em razão de seu tamanho reduzido, ele não pode ser visto a mais de 100 metros de altura, o que impede que seja alvejado por arma de fogo e destruído.
Os futuros operadores dos vants, entre os quais os policiais do Bope, receberão treinamento técnico do IME e aulas de pilotagem. A tecnologia dos primeiros protótipos do projeto já foi utilizada pelo IME anteriormente durante operações em Teresópolis e Nova Friburgo, na região serrana, durante os trabalhos de resgate após as enchentes de 2011 –mais de 900 pessoas morreram na tragédia.

FONTE: UOL